segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Pimenta orgânica

NNa receita "Geleia de maçã com pimenta", que postei ano passado, utilizei pimenta vermelha convencional que comprei no sacolão perto de casa. No último Natal, fiz uma receita parecida, só que em vez de maçã usei abacaxi. E usei pimenta vermelha orgânica, que trouxe de um sítio de amigos em São Roque-SP. Percebi que ela arde muito mais. Aí lembrei de uma aula na Pós em Fitoterapia, em que perguntei ao professor se existiria diferença entre uma planta cultivada de forma convencional, e a mesma planta de cultivo orgânico.
Ele explicou o seguinte: as plantas possuem dois tipos de metabolismo: o primário e o secundário. O metabolismo primário é aquele mais direcionado ao crescimento, formação de tecidos em geral. É este o responsável pelo crescimento dos talos, folhas, flores, frutos, raízes... O outro metabolismo, por sua vez, forma aquelas substâncias presentes em pequena quantidade na planta. Os alcaloides, vitaminas, enzimas, flavonoides, antocianinas e por aí vai. Boa parte dessas substâncias "secundárias", porém vitais para a planta, têm alguma função de defesa contra o ataque de predadores. Voltando à pimenta: o pássaro vê o fruto vermelho, e instintivamente vai lá se alimentar dela. E a não ser que ele seja algum pássaro adaptado a consumir esse tipo de fruto picante, ele sai com o bico queimando. A capsaicina (e outros compostos presentes na pimenta) seriam como um "repelente" natural.
E o que o cultivo orgânico tem a ver com isso?
É que a agricultura convencional, visando o maior tamanho dos frutos, estimula o metabolismo primário (lembra? o primeiro, responsável pelo crescimento vegetativo). Como? Fornecendo os nutrientes já prontos (especialmente nitrogênio, fósforo e potássio, o famoso trio NPK). E também por meio do uso dos defensivos (agrotóxicos), que mantém longe os invasores. Resultado: não faz sentido para a planta produzir essas substâncias "menores" como alcaloides, por exemplo, e foca totalmente na produção das substâncias que dão a estrutura - no caso da planta, celulose e água. A planta que cresce sem essa "proteção externa", ao contrário, se vê obrigada a produzir essas substâncias para sua própria defesa.
Basta comparar com uma cidade em crescimento. Nas cidades e bairros "jovens", qual é o tipo de comércio mais comum? Lojas de material de construção, tecidos, ferramentas, supermercado, açougue, quitanda. Esse é o crescimento primário. À medida que o bairro ou cidade vai crescendo, ela recebe os serviços básicos (farmácia, correio, banco), e passa a contar com serviços cada vez mais especializados. Esse é o crescimento secundário.
Se isso for verdade, faz todo o sentido o fato da pimenta orgânica arder mais do que a convencional. E explicaria também o argumento de que o alimento orgânico é mais nutritivo. Está aí um interessante tema para discussão.

3 comentários:

  1. Olá, Rodolfo.

    Estive procurando sobre Anis Estrelado e vi o seu post sobre anis e erva doce. Nele você diz o seguinte:

    "O anis estrelado que é vendido nos supermercados do Brasil é da espécie Illicium anisatum; o outro, que serve de base para o medicamento antiviral, é o Illicium verum. Até aí podemos alegar que são do mesmo gênero botânico, portanto são parentes próximos."

    Eu estive lendo outro artigo sobre a diferença entre o "verum" e o "anisatum". Segundo este artigo, o anisatum é também conhecido como Anis-estrelado japonês e é extremamente tóxico/venenoso, e não serve para consumo.

    Inclusive, a foto que você usou para o post, retirada da wikipedia, parecia muito com imagem do anis japonês. Dê uma olhada:

    http://www.minefi.gouv.fr/fonds_documentaire/dgccrf/01_presentation/activites/labos/2001/badiane.htm

    Abraço.

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    1. Olá André,

      Desculpe a demora.
      obrigado pelo comentário. Interessante a matéria. Adulteração de plantas medicinais é um problema seríssimo. Agora, essa questão de identificação botânica é mesmo complexa, até mesmo entre os pesquisadores existe divergência. Vou verificar de onde retirei essa informação postada no blog e corrigir.
      Abraço,
      Rodolfo

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  2. Olá André,

    Desculpe a demora.
    obrigado pelo comentário. Interessante a matéria. Adulteração de plantas medicinais é um problema seríssimo. Agora, essa questão de identificação botânica é mesmo complexa, até mesmo entre os pesquisadores existe divergência. Vou verificar de onde retirei essa informação postada no blog e corrigir.
    Abraço,
    Rodolfo

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