domingo, 20 de março de 2011

Um pouco de mim



Sou farmacêutico, formado pela USP em 1997. Mas minha relação com o mundo dos ingredientes e da cozinha é muito mais antiga. Minha mãe Olivia Elza Kreitlow Schleier, culinarista hoje aposentada, foi uma pioneira da alimentação natural na região do ABC. Cresci ouvindo os princípios de uma alimentação consciente, sem radicalismos. Suas maiores influências foram a Dra. Gudrun Burkhard (pioneira da medicina antroposófica no Brasil) e Maria Antonieta Medeiros, ambas pesquisadoras e autoras de livros de alimentação natural.

Nossa casa vivia cheia de livros e revistas sobre o tema. Minha mãe fazia pão integral, geleias, pratos prontos, para ajudar no orçamento doméstico. As pessoas vinham comprar e ficavam conversando com ela, e eu adorava ouvir e aprender sobre os ingredientes. A culinária é uma tradição no meu lado materno. Minha avó, catarinense e neta de alemães, trabalhou muito tempo como cozinheira em Petrópolis e São Paulo.
Li a série de 4 livros sobre alimentação da Dra. Gudrun com apenas 10 anos (a série Novos Caminhos da Alimentação, publicada pela primeira vez em 1984 e relançada recentemente). Acabei pegando gosto pela área da saúde, e escolhi fazer o curso de farmácia. Desde cedo queria trabalhar com plantas medicinais, chás, alimentos funcionais. E consegui: depois de formado, atuei por cinco anos em farmácia de manipulação, fiz pós-graduação em Fitoterapia e ingressei na indústria farmacêutica. Sempre na área de produtos naturais. Mas não sou do tipo radical, que nega as terapias convencionais. Pelo contrário: acredito que os medicamentos alopáticos também são necessários, e eu mesmo faço uso deles.
Em paralelo, continuei realizando em casa minhas pesquisas culinárias. No final dos anos 90, já formado em Farmácia, relatei duas dessas pesquisas no Diário do Grande ABC: uma delas era sobre uma receita de pizza sem glúten que eu vinha desenvolvendo, e outra sobre legumes cristalizados (isso mesmo: cenoura e beterraba) para colocar em panetones. Fabriquei um vinho caseiro, de amora com jabuticaba do sítio da minha tia. Uma área pela qual tenho interesse especial são os ingredientes regionais e/ou não convencionais. Adoro passear em feiras livres, sacolões, casas do Norte, enfim, todo tipo de comércio de alimento. Felizmente, descobri que não sou o único – cada vez mais pessoas estão redescobrindo esses tesouros.
Em 1999 comecei uma pós-graduação na USP em Nutrição Humana Aplicada. Um curso relativamente novo, interdisciplinar, que integra Nutrição, Farmácia e Economia. Porém tive que interromper por motivo financeiro. De 2000 a 2005, trabalhei em uma farmácia de manipulação na região do ABC, com forte tradição em chás e fitoterápicos. Ali eu fiquei novamente motivado a fazer uma pós-graduação, e escolhi o curso de Fitoterapia do IBEHE. Fiz minha monografia sobre as propriedades da uva, e encontrei coisas interessantíssimas sobre as frutas vermelhas em geral: amora, jabuticaba, mirtilo, etc.
Veja aqui a monografia na íntegra:
Em 2005 saí da farmácia e ingressei numa empresa suíça de medicamentos e cosméticos naturais. Comecei visitando médicos, em toda a cidade de São Paulo e municípios vizinhos (ABC, Cotia, Osasco). Gradativamente fui deixando o trabalho externo e passando a integrar a equipe interna. Hoje meu trabalho consiste principalmente em reunir evidências científicas a favor desses produtos. As terapias complementares são muito combatidas (sob alegação de “falta de eficácia”), e era preciso desenvolver estratégias de divulgação junto aos médicos. Foi assim que consegui juntar uma quantidade considerável de artigos científicos sobre fitoterapia, homeopatia, medicina antroposófica e outras dessas terapias (Caso tenha interesse, vários deles estão aqui neste link: Como a alimentação está intimamente ligada à saúde, continuei minhas pesquisas independentes sobre ingredientes e receitas. E foi aí que fiquei motivado a compartilhar esses artigos com outras pessoas e iniciei este blog.

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